Valnia Véras

Moro nas gavetas da minha alma

Meu Diário
27/07/2025 22h18
A relatividade do tempo e do viver

No livro da vida, cada página é mágica.

As histórias de luta, de resistência, de riso e lágrimas, de amor e empatia, representam capítulos, scripts temporários.

Na relatividade do viver, cada segundo é importante, potente e eterno em sua essência.

Interessante, que é na efemeridade das coisas tangíveis, que as pessoas buscam segurança e se agarram sedentas aos objetos materiais que podem ser quantificados e apreçados.

Entretanto, quando a areia da ampulheta se abrevia, surgem as lembranças e imagens das pessoas queridas. A urgência de resgatar amores e amizades preciosas.

Cada frase, cada linha traçada, cada áudio ou palavra cantada, cada gesto em comunicação, traduz-se na riqueza do interagir, na tentativa de congelar afetos e cristalizá-los, desafiando o tempo.

O tempo é rei soberano e exigente nesse mundo transitório. Nos momentos de tristezas, ele se arrasta, nos de alegria, ele voa.

Diante da transformação diária, menos é mais. Menos dias, mais experiência. Aprende-se a degustar cada aniversário, cada beijo de despedida.

O corpo físico nos auxilia a nos desvencilhar do “nunca” e do “sempre” e nos ensina a nos adaptar, compreender a finitude passageira dessa vivência terrena.

Desde o nascimento, o corpo perece, amadurecendo, marcando e carimbando a trajetória. Entre o primeiro e o último olhar para esse mundo, no estreito espaço entre o abrir e o fechar dos olhos, enchemos nossa mala de tesouros.

Uns selecionam carros, casas, ações, ouro, diplomas, dólares e preenchem o vazio da alma com tudo que tem valor estimável.

Outras pessoas preenchem a mala de sorrisos, abraços, olhares de gratidão, mãos de acolhimento, tudo que não se mede, mas cabe na bagagem de volta para casa.

Na transitoriedade da vida terrena, construímos pontes que nos levarão a outros mundos, outro tempo, outros tipos de conhecimentos, outros espaços infinitos ou não.

Como dizia Heráclito de Éfeso a mudança é a única constante. Quando colocamos os pés num rio, nem nós seremos os mesmos, nem o rio. Cada pessoa abraçada nos modifica e nos deixa um pouco da sua história.

Acompanhar pessoas é permitir-se transformar folhas em branco em inúmeros desenhos coloridos, quadros pintados dos instantes de alegria,

Na transição, observo a versatilidade do vento que as vezes sussurra, outras tantas sopra forte levando tudo para longe, mas não desiste de desbravar a brevidade do tempo.

Valnia Véras


Publicado por Valnia Véras em 27/07/2025 às 22h18



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