Valnia Véras

Moro nas gavetas da minha alma

Meu Diário
20/10/2026 22h06
Somos energia inesgotável

 

A sombra da noite cobre as lágrimas que teimam em inundar os caminhos a serem trilhados. Na estrada pedregosa, os obstáculos parecem intransponíveis, de tal maneira que a vista embaçada não consegue encontrar a saída.

 

O grito preso na garganta se debulha em choro, num lamento desesperado à beira de um penhasco existencial. Da janelinha, entreaberta, na porta, a risada do descaso parece triunfar.

 

Mas nem a risada, nem as lágrimas têm setas indicando os degraus a serem alçados. Pois, na escada evolutiva, ganha quem tem paciência, persistência e, sobretudo, paz.

 

Eis que de repente, num emaranhado de pensamentos vãos, os abismos cómicos são preenchidos de inúmeros mundos, numa diversidade de cores e matérias jamais imaginadas.

 

Essa descoberta repentina acerca do preenchimento das estrelas colapsadas nos embala e nos traz alento infinito diante das possibilidades relativas e mutáveis do viver.

 

Dentro de um sorriso recém-chegado, num instante cristalizado de alegria, somos mais do que átomos, somos energia inesgotável, capaz de transportar e transmutar o tempo e o espaço.

 

 


Publicado por Valnia Véras em 20/10/2026 às 22h06
 
05/10/2026 10h16
Hoje amanheci triste

 

Hoje amanheci triste, daquelas tristezas que invadem o espírito. Minha alma chora em coletivo interior, de mãos dadas com aqueles que tem medo do prato vazio, da impunidade diante da violência, dos que não tem teto, nem terra para labuta.

 

Hoje amanheci triste, de mãos dadas com aquelas pessoas que são julgadas pela sua identidade, pela sua orientação sexual, por seu gênero, pela cor da sua pele.

 

Hoje amanheci triste, de mãos dadas com a iminência de viver sem saúde e educação pública, sem amparo e sem independência.

 

Hoje amanheci triste, pois vi o óbvio.


Publicado por Valnia Véras em 05/10/2026 às 10h16
 
01/07/2026 08h43
Os “de Perto”

Os “de Perto”


Interessante como os acontecimentos repaginam pensamentos.

Fatos ou comportamentos são grande impulsionadores de mudanças, seja de pontos de vista ou apenas de pertencimento.

O ilustre e talentosíssimo Caetano Veloso já dizia, de perto ninguém é normal.

As incógnitas e contradições humanas se evidenciam “tête-a-tête”.

Entretanto, algumas pessoas se encontram alheias a essa realidade e buscam a mesmice, numa tentativa tosca de padronizar o que naturalmente é diferente.

As habilidades e conhecimentos diversos se resumem às formalidades das academias, com cópias do passado embasadas por nomes distantes.

Outro fenômeno importante acerca do “perto” é o apagamento das potencialidades.

Observa-se que os pensadores são apequenados pelo convívio doméstico e o conhecimento levado consigo perde a propriedade no trato com o cotidiano corriqueiro dos relacionamentos.

Engraçado pensar nos colegas de escola ou trabalho de Galileu Galilei, Albert Einstein, Nise da Silveira ou de Cora Coralina. E quanto às relações familiares de Sigmund Freud, Frida Kahlo, Michel Foucau
lt ou Van Gogh?

Quando o “de fora” ou “distante ” estampa as qualidades ou genialidades, os “de perto” descobrem o óbvio.

Os acontecimentos antes relativos, assumem novas engrenagens e contornos, mudando caminhos e direções.

A mesquinhez do comum, do raso, tenta ofuscar o brilho natural dos vagalumes enfeitando a noite escura.

Mas o tempo não para e quando “os de perto” menos esperam, as janelas do trem já se distanciaram…


Publicado por Valnia Véras em 01/07/2026 às 08h43
 
15/06/2026 09h58
Carpe Diem

Hoje acordei pensando sobre a forma de ver e sentir a vida, o quanto os sentimentos impactam na nossa saúde física e mental.

 

Sempre que reflito sobre esse assunto, lembro de um desenho animado que assistia na infância, onde existiam dois personagens opostos, um leão otimista e uma Hiena pessimista.

 

A hiena tinha um jargão "Oh, céus! Oh, vida! Oh, azar! Não vai dar certo, eu sei que não vai dar certo!".

 

O leão Lippy tentava animar a Hiena Hardy, traçava mil planos, trazia várias possibilidades fantasiosas, mas não conseguia animar o amigo.

 

São personagens tão marcantes e complexos que até o momento busco compreender as suas tentativas, erros e acertos.


Acredito que em alguns momentos somos como o Lippy, em outros somos Hardy. Lippy é o lado engraçado, a vontade de transformar o mundo em um espaço melhor, de animar um (a) amigo(a), de colorir o mundo de alguém.

 

Às vezes, o Lippy também está triste, deseja ser abraçado e consolado, mas como precisa aparentar felicidade para ajudar o amigo, recorre aos planos mirabolantes para poder seguir em frente.


Por sua vez, Hardy necessita lidar com seus sentimentos sombrios, com suas dores, com um cenário de desesperança. Estimulado pelo amigo Lippy, ele tenta embarcar nas loucas aventuras, entretanto, não consegue sair do estado melancólico que lhe é peculiar.

 

Esses personagens nos convidam a olhar para a complexidade da vida, sem impor comportamentos.

 

Se eu pudesse desejar algo para eles, habitando dentro de mim, seria:


Lippy, não se sobrecarregue, tenha seus planos delirantemente incríveis, viva do seu jeito, não se preocupe se não conseguir tornar Hardy uma Hiena tão feliz como desejaria, apenas esteja ao seu lado e lhe mostre o quanto ela é importante. Não esqueça de você, não se obrigue a rir sempre.

 

Para o Hardy, eu desejo que não foque apenas nos problemas e nas coisas negativas, que tente observar a beleza dos planos fantásticos, do impossível. Que se permita ser triste e alegre também, que lembre cotidianamente que existem inúmeros caminhos para seguir.

 

 


Publicado por Valnia Véras em 15/06/2026 às 09h58
 
09/06/2026 13h35
A leitura nas entrelinhas da vida

 

Ler é uma ato revolucionário, que nos transporta para todos os espaços sem nos tirar do lugar. Pelo menos do espaço físico, pois o metafísico é modificado, relido e reencontrado a cada viagem literária.

 

Existem aquelas pessoas que preferem navegar nas águas longínquas do passado distante, entretendo-se e encantando-se com as narrativas poéticas dos trovadores, poetas e pensadores de outrora. Cada página traz um passeio no navio do tempo, eternizado pelos versos ou prosas dos sonhadores.

 

E na riqueza do diverso, algumas pessoas preferem beber em novos traços, enredos e ensaios, catando, costurando e reinventando, sem pressão ou normas preestabelecidas, voando nas asas livres e coloridas das borboletas.

 

Outras pessoas buscam as frases simples, os versos soltos, os poucos volumes costurados nas páginas de um almanaque. Na aparente simplicidade da escrita, as imagens metafóricas ganham cor e significado, inauguram novas formas de filosofar ou desconstruir conceitos empoeirados.

 

Nas entrelinhas da vida, cada leitura importa, todas as falas ou escritas indicam inúmeros caminhos, paisagens, viagens especiais...

 


Publicado por Valnia Véras em 09/06/2026 às 13h35



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