Valnia Véras

Moro nas gavetas da minha alma

Meu Diário
13/11/2025 08h09
Quando se salva uma vida?

 

 

As pessoas estão sempre atravessando uma tênue linha existencial. Interessante, que essa linha não tem linearidade, ela afina, encurta, dilata e percorre anos em minutos.

 

Nesse processo de preencher lacunas, de pintar os vazios, a vida vai perdendo e ganhando sentido. Em alguns instantes a eternidade é pouca, irrisória para caber num balde de alegria. Outras tantas, o infinito é praga que assola a tristeza de viver sem motivação.

 

No traçado das mãos, a linha desenha um coração, que se descobre e se envolve com a efemeridade do tempo. O cansaço vem acompanhado de um suspiro de impaciência, que se inquieta com a necessidade do esperar.

 

Mas no envolver das mãos, a linha se alarga em sorriso, em comunhão, encapsulando o tempo em uma gota de orvalho.

 

Nesse ir e vir, a vida trafega na certeza de que a solidão é vilã e heroína, que um sorriso salva, quando acolhe, mas é cúmplice da morte quando desdenha do ser.

 

Quando.

Advérbio de tempo, temperado de amor e de amizade, eleva os olhos marejados por lágrimas e pinta um afago divino na certeza utópica.

 

Salvar.

Verbo de ação, de transitividade múltipla, intrigante e pretensioso. Se ergue as mãos apenas para o alto, esquece o mundo. Se estende às mãos em direção à realidade, é colo que acolhe e conduz... ao paraíso?

 

Vida.

Substantivo abstrato, simples e comum. Na sua complexidade, na iminência da finitude ou não, os porquês insistem em explicar e salvar o que ainda está em processo de transformação.

 

 

Quando, não sei. Salvar, talvez. Vida, sempre.


Publicado por Valnia Véras em 13/11/2025 às 08h09
 
31/10/2025 12h28
Palavras soltas

Palavras soltas têm significados gigantes

 

Dividir

 

Somar

 

Progresso?

 

Nas frases, o sentido se aprisiona na ideia

 

Dividir é separar? Ou partilhar?

 

Somar é agregar ou empilhar?

 

Progresso é medo do diferente ou evolução?

 

 


Publicado por Valnia Véras em 31/10/2025 às 12h28
 
31/10/2025 08h56
O Dia seguinte

 

O Dia seguinte é momento de serenidade ou desespero, de dever cumprido ou de culpa.

 

É aquele parêntese na vida, onde a gente entende e se entende ou se envergonha.

 

É o congelar do milímetro temporário do ser.

 

O hoje é ação. O Dia seguinte é reflexão.

 

É o depois, o passado que impacta no presente e no futuro das incertezas terrenas.

 

O Dia seguinte traz clareza,

janela limpa,

dia de faxina,

fogos inundando os céus do 31 de dezembro.

 

 

 


Publicado por Valnia Véras em 31/10/2025 às 08h56
 
26/10/2025 10h51
Ubuntu

Corra

Lute

Vença.

O primeiro lugar do podium é o único caminho.

 

Hoje

Agora

Aqui.

Resultado é a medida do sucesso.

 

Na contramão do caminho mais alto e imponente da pirâmide,

do único,

do ouro,

o Ubuntu

cultiva o empate.

 

A meta

é viver bem,

nosso bem... na coletividade.

“Eu sou porque você é”.

 


Publicado por Valnia Véras em 26/10/2025 às 10h51
 
14/10/2025 19h31
A escrita da vida

 

 

Escrever é voar com asas gigantes e brincar com as nuvens do céu.

 

Nos dias de solidão e desânimo, mesmo diante da multidão, a escrita me consola e inspira a seguir em frente.

 

Vivo num mundo de energia densa e complexa, onde algumas pessoas falam sem essência, pró-forma, sem vontade ou crença real nas diferenças.

 

Essa aparência das coisas, essa face por trás do espelho me inquieta ao ponto de não conseguir continuar respirando o ar da superficialidade do ambiente.

 

As forças vão sumindo e surge a necessidade de voar para longe.

 

Não porque eu seja perfeita ou detenha o conhecimento do mundo, apenas porque quando se perde a fé e o entusiasmo, perde-se um pouco de vida também.

 

Na névoa do sono, os conselhos chegam, a energia se renova e o caminho aparece.

 

Às vezes, tenho e temos a pretensão de ter nas mãos a ferramenta propulsora da mudança, resisto e resistimos às outras mãos estendidas pela estrada.

 

Mesmo sem acreditar na sinceridade ou viabilidade da ajuda, faz-se imprescindível deixá-la vir. Se não for útil, vai ser soprada para longe tal qual fumaça diante do vento, se for luz fora da caverna, será o sol da transformação.

 

Deixar fluir é vital, pois a energia represada adoece a alma.

 

Mas não há receita de bolo, onipotente, onisciente e onipresente, que consiga nortear e disciplinar a liberdade da verdade relativa.

 

Travestidas de mil cores e possibilidades, as mudanças embrionárias só funcionam de dentro para fora, no tempo natural do querer.

 

Dentro do casulo escuro, estreito e sofrido, o processo, lentamente, supera as amarras da mesmice, transformando o rastejar dos resultados imediatos e vãos em asas azuis como o céu sem limite.

 

As auras denunciam as palavras inconsistentes, a tentativa de amealhar ideias, compartilhar normas, carimbar projetos de mundos estranhos, com estatísticas que reificam pessoas e as quantificam nas prateleiras da vida.

 

No degustar das palavras sentidas e sopradas nas mesas de negociação, tento digerir a amarga decepção do hoje, sem entender por agora, o real sentido de tudo isso.

 

Como dizia a “Babá McPhee”, quando a lição for aprendida é hora de partir. Nem que seja para outro pavimento de prédio cinza, no grande poço aleatório da existência.

 

 


Publicado por Valnia Véras em 14/10/2025 às 19h31



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