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![]() 28/09/2025 21h39
O sorriso diante da partida serena
Vivemos a vida terrena tão rapidamente, que quando menos esperamos ela escapa das mãos. No correr do cotidiano, as pessoas vão ficando para trás, horas, anos, décadas...
Junto com as atividades diárias, soma-se o tempo, que marca os olhos, as mãos, as ausências.
Não é possível abraçar todas as pessoas queridas todos os dias, nem mesmo todos os anos, mas é possível eternizá-las em nossas histórias. E a maneira mais verdadeira de lembrar de alguém é através do seu jeito de sorrir.
Cada pessoa sorrir num idioma diferente, só seu, que irradia melodia. O apertar dos olhos, o mostrar dos dentes, o jogar da cabeça para trás, o balançar dos ombros ou bater de palmas, o cair da cadeira de tanta alegria.
O sorriso ameniza saudades e nos faz reviver momentos especiais.
Diante das partidas serenas, o sorriso da lembrança sempre será protagonista.
Valnia Véras Publicado por Valnia Véras em 28/09/2025 às 21h39
19/09/2025 08h19
Adoecimento?
Hoje acordei pensando sobre a vida, pode parecer clichê, pois é algo que faz parte do cotidiano. O que houve de diferente para iniciar o dia falando sobre esse assunto? Nada. O “Nada” suscita inúmeras interrogações diárias.
Nos meus devaneios, lembrei das sábias palavras de Pepe Mujica “não compramos com dinheiro, mas com vida”. Esse comprar também se estampa na necessidade de ter o poder, de ser alguém que se destaca, que controla o mundo.
No processo de ter e parecer, o corpo e a mente não conseguem acompanhar a passagem do tempo. Com tantas energias negativas somatizadas ao longo dos anos, é natural a chegada das lições que não conseguimos internalizar.
O corpo e a mente vão adoecendo aos poucos, uma gotícula a cada dia. Os sinais são ignorados, pois a vida urge, é preciso trabalhar, estudar, festejar, produzir… Ações que tratam do que pode ser visto ou concretizados de fora para fora.
A pressa de viver a existência perfeita nos impede de entender o que nos limita, quais os gatilhos, o que nos faz chorar ou ter uma crise de raiva. Não há tempo para olhar para dentro, olhar atentamente o que está sob o véu do inconsciente.
Até… o momento que a vida nos para, acho que posso dizer que nos coloca na cadeirinha da reflexão.
Quando a doença abre a porta de supetão, tudo muda de foco. O tempo passa devagar, alongado entre lágrimas, revoltas e diversas perguntas. Ultrapassado o primeiro momento, a poeira que guardamos embaixo do tapete surge em forma de lembranças, de arrependimentos, de saudades, um “déjà vu” do filme da vida.
Na maturidade do adoecimento, entende-se a necessidade de admirar o trabalho excepcional das formigas carregando inúmeras folhas para juntas se alimentarem nos tempos de inverno. Há tempo para descobrir a saída da borboleta desajeitada de dentro do casulo, abrigo de aprendizado para a liberdade.
Num leito de hospital ou na solidão de uma casa vazia, compreende-se o valor de um afeto verdadeiro, aquele sentimento que não se quantifica, nem se encontra nas prateleiras das lojas mais chiques da avenida.
Diante da despedida terrena, a acolhida espiritual se faz presente, a amizade de outrora, que venceu o tempo e o espaço, traz o consolo e o abraço na volta para casa.
Embora diante das despedidas, a enfermidade, às vezes, possa representar um recorte existencial, o objetivo primeiro deste texto não é dissertar sobre desfechos. Escolhi refletir sobre processos e descobertas, razão pela qual o adoecimento tem um papel central nas muitas histórias que contamos, na infinitude das horas.
A pressa e a produtividade batem à porta de quem ainda não entendeu que números não representam pessoas. Que pessoas precisam de afeto. Que sem o cultivo do “Ubuntu” não há cura, nem do corpo, nem da alma.
Publicado por Valnia Véras em 19/09/2025 às 08h19
16/09/2025 15h04
Um mundo acessível e diverso. Será?
Inicio o meu texto com a seguinte pergunta:
Quem está pronto ou pronta para viver num mundo realmente acessível e diverso?
Os espaços que hoje vivemos estão “quase sempre” preparados para pessoas sem deficiência.
Eu digo “quase” porque nem todas as pessoas sem deficiência se sentem acolhidas nos espaços que ocupam.
Vamos refletir um pouco sobre a acessibilidade?
Este texto tem fonte arial, tamanho 14, margens justificadas apenas à esquerda, enfim uma formatação acessível.
Com um leitor de texto, é possível transformar escrita em áudio.
Com um recurso de janela de Libras, também é possível refletir sobre seu significado.
Entretanto, por ser escrito, deixa de fora as pessoas não alfabetizadas, por exemplo.
Excluem-se, igualmente, as pessoas que não têm recursos financeiros, pelo motivo óbvio do não acesso básico às tecnologias assistivas, comumente disponíveis em aplicativos digitais.
Além dos recursos tecnológicos e a preocupação com os desafios citados anteriormente, é preciso igualmente garantir uma comunicação mais clara.
A linguagem precisa ser simples, direta, a fim de acolher os analfabetos funcionais (que tem dificuldade com a leitura e interpretação de textos escritos) e as pessoas com deficiência intelectual.
Muita coisa? Como pensar em tudo isso ao mesmo tempo?
Observações preliminares realizadas, vamos dialogar.
Muito se fala em barreiras arquitetônicas e urbanísticas. Aqueles desafios que as pessoas com deficiência encontram nas ruas, nos locais de trabalho, nas horas de lazer.
Ruas esburacadas, calçadas ocupadas por barracas, carros, cadeiras e outros objetos impedindo as pessoas cegas e usuárias de cadeiras de rodas de transitarem pelas vias públicas.
Portas pesadas e sem sensor de presença, banheiros não adaptados para pessoas com deficiência, ausência de rampas ou elevadores obstruindo o acesso das pessoas com mobilidade reduzida ou usuárias de cadeiras de rodas a alguns locais…
Mas, diante desses desafios, dessa realidade, o que pode ser feito? De forma individual? No dia a dia?
Não sou uma pessoa com deficiência, portanto não posso trazer respostas apropriadas e legítimas para essa população, há inclusive o lema “Nada sobre nós sem nós”, razão pela qual não me cabe dissertar sobre as necessidades e lutas das pessoas com deficiência.
No entanto, enquanto cidadã, posso modificar a minha conduta diante das pessoas e construir uma vivência mais inclusiva. Retirar do meu vocabulário, por exemplo, palavras capacitistas como cegueta, aleijado, mongol, doidinho, surdo-mudo, anão, manco ou retardado.
Posso me reeducar e respeitar os lugares destinados às pessoas com deficiência (banheiros, estacionamento, filas).
Devo respeitar os direitos das pessoas, demonstrar empatia, jamais pena, pois todas as pessoas merecerem ter sua dignidade preservada.
Tudo isso que proponho objetiva vencer as famosas barreiras atitudinais, em outras palavras, mudar de atitude, deixando de excluir pessoas por serem diferentes.
Diferente. Que palavra difícil de prender em caixinhas, né?
Além de inacessível, este mundo também é preconceituoso.
Embora vivamos numa diversidade de raças, etnias, gêneros e pensamentos, é comum visualizarmos a tentativa de prender pessoas em caixas de comportamentos. A sensação é de enfileirar robôs vestidos de azul ou de rosa.
Cada gesto ou vestir é imediatamente indicativo de Certo ou Errado.
E quando a caixa se rompe?
O cabelo crespo livre em dissonância com o liso. O corpo feminino vestido de roupas masculinas. As unhas pintadas nas mãos masculinas. O corpo gordo invadindo a beleza padrão do corpo magro…
E agora?
Até a dinâmica da língua incomoda quem não consegue compreender as diferenças mundanas, de crenças, de cores e amores.
Por que um simples todes balança tantas estruturas?
Por que o requebrar de uma mulher trans passando na avenida desperta tanto ódio?
Por que a coragem de um homem trans divide tantas vozes?
De onde veio a doçura e a fragilidade feminina? Será que foi do mesmo lugar que a brutalidade e força masculina? Quem disse que essas características definem os gêneros ou as pessoas?
Por quê?
Na infância temos uma fase riquíssima, onde os porquês aparecem poderosos, questionando o que antes era intocável, descobrindo as várias camadas da verdade.
Que bom seria se esse estado de infância fosse uma realidade perene e o filosofar fosse um belo prédio em construção com vários andares e inúmeras janelas.
Por hoje, vou passando, só para lembrar, que é difícil viver num mundo inacessível e “homogêneo”.
Amanhã, voltarei para lhe contar como a semente da inclusão floresceu e mudou o mundo.
Até…
Publicado por Valnia Véras em 16/09/2025 às 15h04
24/08/2025 14h43
A linguagem do coração
Vivemos num mundo de comunicação muito difícil. A interação social geralmente vem justificada e pautada na fala ou na escrita. Entretanto, comunicar ou interagir é muito mais, é afeto, é sentimento, é raciocínio com estruturas diferentes do padrão, é telepatia, é energia. Um olhar de medo comunica, um arrepio no corpo comunica, um choro comunica, mãos agitadas comunicam, mãos cobrindo os ouvidos comunicam... Interagir com quem é “normal” não é interagir, é excluir. Socializar apenas com quem é padrão, não é interagir, é segregar. A linguagem do preconceito às vezes não vem através de palavras, escritas ou faladas, vem do balançar de ombros, dos olhares ameaçadores, do “manter distância”, das desculpas religiosas. A energia do Planeta Terra está mudando, pessoas com formas de comunicação e comportamentos diferentes estão chegando, o espaço cinza dá lugar ao colorido, à melodia do compartilhar. Essas pessoas “estranhas” estão ensinando a humanidade a entender que há várias e inúmeras formas de comunicação, de ser e entender os mundos, vivendo heterogênas na gigante linguagem do amor universal, traduzida em idioma terráqueo, como a “Linguagem do coração.” Valnia Véras Publicado por Valnia Véras em 24/08/2025 às 14h43
27/07/2025 22h18
A relatividade do tempo e do viver
No livro da vida, cada página é mágica. As histórias de luta, de resistência, de riso e lágrimas, de amor e empatia, representam capítulos, scripts temporários. Na relatividade do viver, cada segundo é importante, potente e eterno em sua essência. Interessante, que é na efemeridade das coisas tangíveis, que as pessoas buscam segurança e se agarram sedentas aos objetos materiais que podem ser quantificados e apreçados. Entretanto, quando a areia da ampulheta se abrevia, surgem as lembranças e imagens das pessoas queridas. A urgência de resgatar amores e amizades preciosas. Cada frase, cada linha traçada, cada áudio ou palavra cantada, cada gesto em comunicação, traduz-se na riqueza do interagir, na tentativa de congelar afetos e cristalizá-los, desafiando o tempo. O tempo é rei soberano e exigente nesse mundo transitório. Nos momentos de tristezas, ele se arrasta, nos de alegria, ele voa. Diante da transformação diária, menos é mais. Menos dias, mais experiência. Aprende-se a degustar cada aniversário, cada beijo de despedida. O corpo físico nos auxilia a nos desvencilhar do “nunca” e do “sempre” e nos ensina a nos adaptar, compreender a finitude passageira dessa vivência terrena. Desde o nascimento, o corpo perece, amadurecendo, marcando e carimbando a trajetória. Entre o primeiro e o último olhar para esse mundo, no estreito espaço entre o abrir e o fechar dos olhos, enchemos nossa mala de tesouros. Uns selecionam carros, casas, ações, ouro, diplomas, dólares e preenchem o vazio da alma com tudo que tem valor estimável. Outras pessoas preenchem a mala de sorrisos, abraços, olhares de gratidão, mãos de acolhimento, tudo que não se mede, mas cabe na bagagem de volta para casa. Na transitoriedade da vida terrena, construímos pontes que nos levarão a outros mundos, outro tempo, outros tipos de conhecimentos, outros espaços infinitos ou não. Como dizia Heráclito de Éfeso a mudança é a única constante. Quando colocamos os pés num rio, nem nós seremos os mesmos, nem o rio. Cada pessoa abraçada nos modifica e nos deixa um pouco da sua história. Acompanhar pessoas é permitir-se transformar folhas em branco em inúmeros desenhos coloridos, quadros pintados dos instantes de alegria, Na transição, observo a versatilidade do vento que as vezes sussurra, outras tantas sopra forte levando tudo para longe, mas não desiste de desbravar a brevidade do tempo. Valnia Véras Publicado por Valnia Véras em 27/07/2025 às 22h18
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