Valnia Véras

Moro nas gavetas da minha alma

Meu Diário
28/01/2026 16h12
Saberes

 

 

O conhecimento é algo interessante, vai chegando e ocupando o espaço compacto da bagagem cotidiana do viver, balbuciando os primeiros sons, ensaiando os primeiros passos.

No decorrer da caminhada, vai chegando de toda parte, acompanhado por inusitadas pessoas.

São tantas receitas de bolos, regras de futebol, contos do vigário, provas escolares, corridas para alcançar o trem...

Os saberes impregnados na alma anunciam notícias quentes ou requentadas, com fotografias recortadas de lembranças e de culpas.

No fim das contas, os saberes nos instigam a ler mais uma página do romanceiro da existência.


Publicado por Valnia Véras em 28/01/2026 às 16h12
 
26/01/2026 18h06
Companhias

Eu não ando só, só ando em boa companhia...

 

Na volta para casa, vinha cantarolando a bela música de Vinicius de Moraes. De repente meu pensamento voa para bem longe, lembrando as companhias que estiveram na minha caminhada terrena e que já migraram para o plano espiritual.

Pessoas fantásticas, que pincelaram as minhas memórias de sorrisos. Histórias que se cruzaram e enriqueceram minha vivência. Enredos que se entrelaçaram no meu cotidiano e me lembraram que girassóis são imprescindíveis para o bem viver.

Abraços, dedinhos apertados, assovios, risadas, beijos soprados ao vento... Momentos preciosos colecionados no álbum da existência. Pilares que nos lembram que apesar da transitoriedade do tempo, os tesouros do coração permanecem tatuados na alma.

De vez em quando uma dessas pessoas me visita nos sonhos, nas passagens rápidas, nas orações... e sorriem e me lembram que apesar de cada vida terrena representar um piscar de olhos, existem inúmeras outras formas de se viver e de se fazer presente na existência de alguém.

Quem deixa saudade, plantou uma semente de amor, que florescerá por toda a eternidade.

 


Publicado por Valnia Véras em 26/01/2026 às 18h06
 
17/01/2026 17h52
O absoluto transitório

 

O “Quem ama o feio bonito lhe parece” aliado a cultura do “eu acho” constroem teses intransponíveis.

 

A persistência do ponto de vista centraliza o individualismo do caminho, sedimentando as pontes ideológicas da neutralidade utópica.

 

Ter razão é carimbar a ilusão da verdade absoluta na transitoriedade do tempo.

 

No alto do "saber" ou da ignorância da certeza do tudo, a vida espelha a diversidade das letras e do conhecimento mundano.

 

Diante das letras mortas, a comunicação se distancia das gentes.

 

Por outro lado, o achismo ergue torres de superficialidade que retrata o grotesco desdém pelo raciocínio humano.

 

Como saber de tudo? 

 

A complexidade do existir desafia as crianças, que engatinham na vida, ainda ousando os primeiros passos.

 

A partir da minha janela, vejo e sinto pessoas, situações compartilhadas de vivências, seja através do conhecimento ou da energia emanada.

 

Elaboro teses, costuro argumentos, busco informações multifacetadas, recortadas no álbum da vida e a partir delas tomo decisões ou me abstenho de enfrentá-las.

 

Na rapidez do momento, pisco os olhos e o cenário muda, repentinamente, intensamente, refletindo experiências infinitas.

 

No hoje, encontro as respostas do ontem, as verdades relativas embrenhadas em lágrimas e sorrisos.

 

Amanhã... dependerá do olhar, da história, quiçá da vaidade dos “doutores do tudo” ou da insensatez do “eu acho”...

 

 

 


Publicado por Valnia Véras em 17/01/2026 às 17h52
 
20/12/2025 12h25
Jesus nasce

Jesus nasce sobre o nome morto e em celebração alegre à identidade da menina ou menino.

 

Jesus nasce além das luzes artificiais que piscam nas cantatas de Natal

e vive no amparo aos irmãos invisibilizados nas ruas.

 

Jesus nasce ao consolar a mãe que perdeu o filho alvejado pela miséria.

 

Jesus nasce, acalanta, acolhe, diversas e infinitas vezes os excluídos, os despossuídos e incompreendidos.

 

Jesus nasce e sempre nasceu longe do ouro, das casas suntuosas, das vestes finas e da vaidade material.

 

Jesus é luz natural, música suave, que jamais desiste de amar.


Publicado por Valnia Véras em 20/12/2025 às 12h25
 
18/12/2025 12h14
Natal todo dia

 

 

Durante a época natalina, tão cheia de luzes e afetos, as confraternizações alimentam risos e abraços.

Nos restaurantes e bares, todos renovam as esperanças, de braços dados com as amizades do ano, celebrando os presentes e o Papai Noel.

 

Para além das portas e janelas, os invisíveis e indesejados continuam alheios aos festejos. A fome e o frio lhes fazem companhia e os presentes nas vitrines das lojas não chegam a animar suas noites nas calçadas.

 

Entre uma comemoração e outra, os jornais noticiam a violência, a desigualdade, as crises climáticas e a política do interesse individual sobre o bem estar coletivo.

 

Nas igrejas, um Cristo triste e crucificado ocupa o lugar central, sem esperança na humanidade.

 

Fieis esquentam bancos de templos acreditando que a salvação da alma está na presença assídua aos lugares religiosos que visitam.

 

Para se sentirem menos desconfortáveis, alguns dão esmolas no dia de Natal.

 

Em que momento o cristianismo ficou tão distante de Jesus?

 

A igualdade, o amor, o acolhimento e o não julgamento, pilares revolucionários que fizeram do Cristo um contestador pacífico, pouco se encontra nos segmentos religiosos.  

 

Jesus nos convida a construir um Natal todo dia, sem exclusão, com justiça social e sem violência. Onde todas as pessoas possam celebrar o bem comum.

 

Onde os sorrisos de festejo não estejam apenas dentro de espaços fechados, mas também nas ruas. Que estas ruas já não precisem abrigar irmãos excluídos e descartados pela sociedade.

 

Que todas as pessoas tenham moradia decente, comida, dignidade, paz e  liberdade para serem quem são.

 

Nos meus devaneios natalinos, peço ao papai noel, o mundo sonhado por Jesus de Nazaré, onde todos possam enfim viver  um Natal todo dia.

 

 


Publicado por Valnia Véras em 18/12/2025 às 12h14



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