Valnia Véras

Moro nas gavetas da minha alma

Meu Diário
10/07/2025 23h09
Escuta atenciosa

 

A escuta atenciosa é genuinamente empática, delicada e abnegada. É o desprender da matéria em direção à eternidade da existência. É o abrigo e o consolo do solitário das horas.

 

Temos dois ouvidos e apenas uma boca, mas raramente fazemos uso da escuta. Costumamos ouvir sons, visualizar imagens ou decifrar códigos escritos, mas raramente nos detemos nos apelos do coração.

 

O tempo urge, a pressa acompanha cada jornada, embasando e sedimentando a forma frenética de viver o hoje. Nesse vaivém do imediato nos perdemos uns dos outros.

 

A vida sopra e a doença chega, a velhice bate a porta, a solidão toma conta da casa.

E agora?

Diante do tempo imperiosamente estático, o que fazer além de falar?

Mas para quem?

 

Quem está pronto(a) para escutar as histórias repetidas, os lamentos, as angústias, as reclamações?

 

Quem está pronto(a) para abrir um parêntese entre as inúmeras reuniões ou festas de fim de semana para aguardar em silêncio diante da necessidade de fala de um(a) amigo(a)?

 

Quem está pronto(a) para ouvir as histórias inventadas, lembranças jamais vividas ou lacunas da memória?

 

A escuta atenciosa nos convida a parar, refletir, silenciar e oferecer o primeiro lugar do podium a alguém. Sem interferências ou soluções, apenas empréstimo de tempo, quiçá um banquinho para sentar e aguardar o descortinar da aurora.

 

Mas a escuta não nasce do acaso, ela se constrói no cotidiano, no ensaiar de laços, no pintar da aurora boreal em cada céu imaginado por nós.

 

Que o nosso tempo seja mais compartilhado, projetado na escuta da realidade, transmutando-se em belas histórias de amizade, lealdade e sorrisos de esperança.

 

 

 

 


Publicado por Valnia Véras em 10/07/2025 às 23h09
 
10/06/2025 12h32
As curvas da palavra

 

O discurso “bem-intencionado” e a prática do bem nem sempre andam de mãos dadas, algumas vezes escolhem lugares bem diferentes para fazerem morada.

 

O que se fala sem verdade ou sem pretensão de ser fiel ao verbo, certamente se perde no tempo, qual folha seca espalhada pelo chão, que se movimenta de um lado para o outro, sem raízes de sustentação.

 

A prática benfeitora, entretanto, arrebata pela força do exemplo, transforma o ambiente e enche de luz e esperança tudo que encontra pela frente.

 

Discursos entusiasmados sem prática são palavras perdidas em linha reta, ecos sem consistência ou referências no horizonte, pegadas na areia apagadas pela força das águas.

 

Quanta ilusão repousa no discurso vazio…

 

As práticas verdadeiras conduzem passos em direção ao futuro, construindo estradas verdes, repleta de flores, que enfeitam a existência e trazem inúmeras pessoas para participarem da caminhada.

 

Que as nossas vidas estejam pautadas pelas curvas da palavra, parando em cada esquina para acolher, amar e vivenciar os exemplos de bondade que acreditamos existir.

 

Valnia Véras

 


Publicado por Valnia Véras em 10/06/2025 às 12h32
 
03/06/2025 21h38
Saúde mental e Assédio Moral

 

 

Gente, já nem sei quantas vezes ouvi falar em saúde mental. Sobre a importância de estar bem ou a necessidade de cultivar bons pensamentos para construir uma vida saudável.

As receitas de bolo que ensinam o passo a passo para garantir a saúde mental trazem fórmulas simples e um roteiro prático, que promete paz e equilíbrio.

Nesse recorte de felicidade, as angústias fogem para debaixo do tapete da sala, assistindo às escondidas algumas séries e filmes na tv.

Pensando hoje sobre várias situações que refletem a desesperança, o desestímulo e a ausência de vontade e paciência para lidar com algumas pessoas, resolvi refletir sobre o porquê de ideias tão negativas.

Existem momentos conflitantes, onde nos deparamos com convivências impostas pelas circunstâncias, muitas delas ocorridas nas relações laborais.

Um comentário depreciativo sobre um trabalho, uma piada que menospreza uma conduta, a invisibilidade das falas, o impedimento no desenvolver das atividades habituais...

O resultado das relações hierárquicas tóxicas e invasivas se refletem na insegurança, no constrangimento, no adoecimento do corpo e da mente.

Há uma linha tênue, entre a mera brincadeira e o constranger. Entre o descontrair e o assediar, entre o solicitar a realização de um trabalho e a pressão para desenvolver atividades sem oferecer o mínimo de suporte para alcançar o resultado.

Parecem informações corriqueiras e comuns, que retratam um pouco do curso das relações estabelecidas no trabalho. Mas na realidade, não são.

Não é natural se sentir preterido ou ameaçado. Não é normal trabalhar triste, porque seu trabalho é desvalorizado. Não é plausível se conformar com um ambiente hostil e castrador.

O objetivo desse texto não é conceituar saúde mental ou assédio, o propósito maior é de encorajamento. Um trilhar de enfrentamento aos abusos morais sofridos na labuta diária.

Não trago receita de bolo, passo a passo, resumo ou portaria, apenas reticências.

Por hora, entendo que apenas um formulário não é capaz de suprir as lacunas deixadas pelos grilões e correntes que sustentam as enferrujadas camadas da pirâmide.

Mas quem sabe amanhã, as sementes da sensibilização encontrem respostas além dos prêmios e requisitos formais do presente.

 

Valnia Véras


Publicado por Valnia Véras em 03/06/2025 às 21h38
 
01/06/2025 22h07
Justiça

 

 

Considerando a complexidade do tema, hoje trago à baila vários questionamentos, a fim de que cada leitora ou leitor construa seu próprio raciocínio e teça sua opinião acerca desse substantivo abstrato.

 

Como podemos definir a Justiça?

 

A grosso modo, podemos conceituá-la como um princípio que busca garantir o que é justo, ético e equilibrado nas relações sociais.

 

Etimologicamente a palavra Justiça vem do latim “justitia”, que significa “aquilo que é justo”.

 

Para o filósofo Sócrates a Justiça é uma virtude central, que se manifesta no conhecimento de si mesmo e na busca pela verdade. A Justiça não se limita a um conjunto de regras, mas abrange um modo de vida que visa o bem comum e o desenvolvimento da alma. 

 

A partir dessa ideia, podemos acreditar que ela existe na prática?

 

Do ponto de vista abstrato e social, podemos afirmar que as relações que estabelecemos na sociedade são justas? Equilibradas? Éticas?

 

As pessoas são justas no trabalho? Na escola? Na família?

 

As pessoas são justas diante das regras apresentadas em sociedade?

 

Aqueles que fizeram as regras são justos?

 

A Justiça se apresenta da mesma forma para todas as pessoas?

 

Há Justiça para os grupos minorizados?

 

A mesma Justiça que ampara ricos, acolhe pobres?

 

A Justiça masculina é igualmente justa para mulheres?

 

Nas relações afetivas há Justiça?

 

As pessoas estão buscando o bem comum?

 

Do ponto de vista jurídico, podemos dizer que nossa legislação é efetivamente justa?

 

Existe Justiça efetiva ou é apenas aparente?

 

Você acredita na Justiça?

 

Você é uma pessoa justa? Mesmo quando não há ninguém por perto?

 

São tantas as perguntas, não é? Filosofar também é buscar a Justiça...

 

Para finalizar, gostaria de citar uma oração bastante conhecida no mundo cristão: o Pai Nosso.

 

Em fervorosa declamação, repete-se rotineiramente: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”

 

Deixo uma uma última interrogação:

Na sua vida, você está encontrando a coerência e o equilíbrio na balança entre o pedir e o dar?

 

 

Valnia Véras


Publicado por Valnia Véras em 01/06/2025 às 22h07
 
26/05/2025 22h51
QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA

 

A música traz um sentimento mágico de euforia, uma sensação de bem-viver, mesmo quando é melancólica.

 

Há uma sintonia de sentimentos entre o(a) cantor(a) e o(a) ouvinte.

 

Um beijo enamorado ligando os lábios aos ouvidos.

 

Um valsar entre quem ouve e quem canta.

 

A melodia de uma canção de amor toca profundamente todo o corpo, abraçando o coração de tal maneira que o enlaça e o acolhe.

 

A vibração de um som dançante energiza o ser, estimulando-o a seguir em frente, numa busca incessante de liberdade.

 

A música da saudade lava os olhos e volta no tempo, proporcionando um reviver de instantes cristalizados na memória.

 

A música, mesmo quando sem som, inunda a alma de notas poéticas e empresta ritmo ao silêncio das horas.

 

Por isso eu canto alto, com e sem palavras, acompanhando o caminhar do vento, o coro alegre dos passarinhos e o apito do presente me convidando a dançar num descompasso harmonioso pelas estradas da vida.

 

VALNIA VÉRAS


Publicado por Valnia Véras em 26/05/2025 às 22h51



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