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![]() 16/09/2025 15h04
Um mundo acessível e diverso. Será?
Inicio o meu texto com a seguinte pergunta:
Quem está pronto ou pronta para viver num mundo realmente acessível e diverso?
Os espaços que hoje vivemos estão “quase sempre” preparados para pessoas sem deficiência.
Eu digo “quase” porque nem todas as pessoas sem deficiência se sentem acolhidas nos espaços que ocupam.
Vamos refletir um pouco sobre a acessibilidade?
Este texto tem fonte arial, tamanho 14, margens justificadas apenas à esquerda, enfim uma formatação acessível.
Com um leitor de texto, é possível transformar escrita em áudio.
Com um recurso de janela de Libras, também é possível refletir sobre seu significado.
Entretanto, por ser escrito, deixa de fora as pessoas não alfabetizadas, por exemplo.
Excluem-se, igualmente, as pessoas que não têm recursos financeiros, pelo motivo óbvio do não acesso básico às tecnologias assistivas, comumente disponíveis em aplicativos digitais.
Além dos recursos tecnológicos e a preocupação com os desafios citados anteriormente, é preciso igualmente garantir uma comunicação mais clara.
A linguagem precisa ser simples, direta, a fim de acolher os analfabetos funcionais (que tem dificuldade com a leitura e interpretação de textos escritos) e as pessoas com deficiência intelectual.
Muita coisa? Como pensar em tudo isso ao mesmo tempo?
Observações preliminares realizadas, vamos dialogar.
Muito se fala em barreiras arquitetônicas e urbanísticas. Aqueles desafios que as pessoas com deficiência encontram nas ruas, nos locais de trabalho, nas horas de lazer.
Ruas esburacadas, calçadas ocupadas por barracas, carros, cadeiras e outros objetos impedindo as pessoas cegas e usuárias de cadeiras de rodas de transitarem pelas vias públicas.
Portas pesadas e sem sensor de presença, banheiros não adaptados para pessoas com deficiência, ausência de rampas ou elevadores obstruindo o acesso das pessoas com mobilidade reduzida ou usuárias de cadeiras de rodas a alguns locais…
Mas, diante desses desafios, dessa realidade, o que pode ser feito? De forma individual? No dia a dia?
Não sou uma pessoa com deficiência, portanto não posso trazer respostas apropriadas e legítimas para essa população, há inclusive o lema “Nada sobre nós sem nós”, razão pela qual não me cabe dissertar sobre as necessidades e lutas das pessoas com deficiência.
No entanto, enquanto cidadã, posso modificar a minha conduta diante das pessoas e construir uma vivência mais inclusiva. Retirar do meu vocabulário, por exemplo, palavras capacitistas como cegueta, aleijado, mongol, doidinho, surdo-mudo, anão, manco ou retardado.
Posso me reeducar e respeitar os lugares destinados às pessoas com deficiência (banheiros, estacionamento, filas).
Devo respeitar os direitos das pessoas, demonstrar empatia, jamais pena, pois todas as pessoas merecerem ter sua dignidade preservada.
Tudo isso que proponho objetiva vencer as famosas barreiras atitudinais, em outras palavras, mudar de atitude, deixando de excluir pessoas por serem diferentes.
Diferente. Que palavra difícil de prender em caixinhas, né?
Além de inacessível, este mundo também é preconceituoso.
Embora vivamos numa diversidade de raças, etnias, gêneros e pensamentos, é comum visualizarmos a tentativa de prender pessoas em caixas de comportamentos. A sensação é de enfileirar robôs vestidos de azul ou de rosa.
Cada gesto ou vestir é imediatamente indicativo de Certo ou Errado.
E quando a caixa se rompe?
O cabelo crespo livre em dissonância com o liso. O corpo feminino vestido de roupas masculinas. As unhas pintadas nas mãos masculinas. O corpo gordo invadindo a beleza padrão do corpo magro…
E agora?
Até a dinâmica da língua incomoda quem não consegue compreender as diferenças mundanas, de crenças, de cores e amores.
Por que um simples todes balança tantas estruturas?
Por que o requebrar de uma mulher trans passando na avenida desperta tanto ódio?
Por que a coragem de um homem trans divide tantas vozes?
De onde veio a doçura e a fragilidade feminina? Será que foi do mesmo lugar que a brutalidade e força masculina? Quem disse que essas características definem os gêneros ou as pessoas?
Por quê?
Na infância temos uma fase riquíssima, onde os porquês aparecem poderosos, questionando o que antes era intocável, descobrindo as várias camadas da verdade.
Que bom seria se esse estado de infância fosse uma realidade perene e o filosofar fosse um belo prédio em construção com vários andares e inúmeras janelas.
Por hoje, vou passando, só para lembrar, que é difícil viver num mundo inacessível e “homogêneo”.
Amanhã, voltarei para lhe contar como a semente da inclusão floresceu e mudou o mundo.
Até…
Publicado por Valnia Véras em 16/09/2025 às 15h04
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