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![]() 19/09/2025 08h19
Adoecimento?
Hoje acordei pensando sobre a vida, pode parecer clichê, pois é algo que faz parte do cotidiano. O que houve de diferente para iniciar o dia falando sobre esse assunto? Nada. O “Nada” suscita inúmeras interrogações diárias.
Nos meus devaneios, lembrei das sábias palavras de Pepe Mujica “não compramos com dinheiro, mas com vida”. Esse comprar também se estampa na necessidade de ter o poder, de ser alguém que se destaca, que controla o mundo.
No processo de ter e parecer, o corpo e a mente não conseguem acompanhar a passagem do tempo. Com tantas energias negativas somatizadas ao longo dos anos, é natural a chegada das lições que não conseguimos internalizar.
O corpo e a mente vão adoecendo aos poucos, uma gotícula a cada dia. Os sinais são ignorados, pois a vida urge, é preciso trabalhar, estudar, festejar, produzir… Ações que tratam do que pode ser visto ou concretizados de fora para fora.
A pressa de viver a existência perfeita nos impede de entender o que nos limita, quais os gatilhos, o que nos faz chorar ou ter uma crise de raiva. Não há tempo para olhar para dentro, olhar atentamente o que está sob o véu do inconsciente.
Até… o momento que a vida nos para, acho que posso dizer que nos coloca na cadeirinha da reflexão.
Quando a doença abre a porta de supetão, tudo muda de foco. O tempo passa devagar, alongado entre lágrimas, revoltas e diversas perguntas. Ultrapassado o primeiro momento, a poeira que guardamos embaixo do tapete surge em forma de lembranças, de arrependimentos, de saudades, um “déjà vu” do filme da vida.
Na maturidade do adoecimento, entende-se a necessidade de admirar o trabalho excepcional das formigas carregando inúmeras folhas para juntas se alimentarem nos tempos de inverno. Há tempo para descobrir a saída da borboleta desajeitada de dentro do casulo, abrigo de aprendizado para a liberdade.
Num leito de hospital ou na solidão de uma casa vazia, compreende-se o valor de um afeto verdadeiro, aquele sentimento que não se quantifica, nem se encontra nas prateleiras das lojas mais chiques da avenida.
Diante da despedida terrena, a acolhida espiritual se faz presente, a amizade de outrora, que venceu o tempo e o espaço, traz o consolo e o abraço na volta para casa.
Embora diante das despedidas, a enfermidade, às vezes, possa representar um recorte existencial, o objetivo primeiro deste texto não é dissertar sobre desfechos. Escolhi refletir sobre processos e descobertas, razão pela qual o adoecimento tem um papel central nas muitas histórias que contamos, na infinitude das horas.
A pressa e a produtividade batem à porta de quem ainda não entendeu que números não representam pessoas. Que pessoas precisam de afeto. Que sem o cultivo do “Ubuntu” não há cura, nem do corpo, nem da alma.
Publicado por Valnia Véras em 19/09/2025 às 08h19
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