Valnia Véras

Moro nas gavetas da minha alma

Meu Diário
14/10/2025 19h31
A escrita da vida

 

 

Escrever é voar com asas gigantes e brincar com as nuvens do céu.

 

Nos dias de solidão e desânimo, mesmo diante da multidão, a escrita me consola e inspira a seguir em frente.

 

Vivo num mundo de energia densa e complexa, onde algumas pessoas falam sem essência, pró-forma, sem vontade ou crença real nas diferenças.

 

Essa aparência das coisas, essa face por trás do espelho me inquieta ao ponto de não conseguir continuar respirando o ar da superficialidade do ambiente.

 

As forças vão sumindo e surge a necessidade de voar para longe.

 

Não porque eu seja perfeita ou detenha o conhecimento do mundo, apenas porque quando se perde a fé e o entusiasmo, perde-se um pouco de vida também.

 

Na névoa do sono, os conselhos chegam, a energia se renova e o caminho aparece.

 

Às vezes, tenho e temos a pretensão de ter nas mãos a ferramenta propulsora da mudança, resisto e resistimos às outras mãos estendidas pela estrada.

 

Mesmo sem acreditar na sinceridade ou viabilidade da ajuda, faz-se imprescindível deixá-la vir. Se não for útil, vai ser soprada para longe tal qual fumaça diante do vento, se for luz fora da caverna, será o sol da transformação.

 

Deixar fluir é vital, pois a energia represada adoece a alma.

 

Mas não há receita de bolo, onipotente, onisciente e onipresente, que consiga nortear e disciplinar a liberdade da verdade relativa.

 

Travestidas de mil cores e possibilidades, as mudanças embrionárias só funcionam de dentro para fora, no tempo natural do querer.

 

Dentro do casulo escuro, estreito e sofrido, o processo, lentamente, supera as amarras da mesmice, transformando o rastejar dos resultados imediatos e vãos em asas azuis como o céu sem limite.

 

As auras denunciam as palavras inconsistentes, a tentativa de amealhar ideias, compartilhar normas, carimbar projetos de mundos estranhos, com estatísticas que reificam pessoas e as quantificam nas prateleiras da vida.

 

No degustar das palavras sentidas e sopradas nas mesas de negociação, tento digerir a amarga decepção do hoje, sem entender por agora, o real sentido de tudo isso.

 

Como dizia a “Babá McPhee”, quando a lição for aprendida é hora de partir. Nem que seja para outro pavimento de prédio cinza, no grande poço aleatório da existência.

 

 


Publicado por Valnia Véras em 14/10/2025 às 19h31



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