Valnia Véras

Moro nas gavetas da minha alma

Meu Diário
18/12/2025 12h14
Natal todo dia

 

 

Durante a época natalina, tão cheia de luzes e afetos, as confraternizações alimentam risos e abraços.

Nos restaurantes e bares, todos renovam as esperanças, de braços dados com as amizades do ano, celebrando os presentes e o Papai Noel.

 

Para além das portas e janelas, os invisíveis e indesejados continuam alheios aos festejos. A fome e o frio lhes fazem companhia e os presentes nas vitrines das lojas não chegam a animar suas noites nas calçadas.

 

Entre uma comemoração e outra, os jornais noticiam a violência, a desigualdade, as crises climáticas e a política do interesse individual sobre o bem estar coletivo.

 

Nas igrejas, um Cristo triste e crucificado ocupa o lugar central, sem esperança na humanidade.

 

Fieis esquentam bancos de templos acreditando que a salvação da alma está na presença assídua aos lugares religiosos que visitam.

 

Para se sentirem menos desconfortáveis, alguns dão esmolas no dia de Natal.

 

Em que momento o cristianismo ficou tão distante de Jesus?

 

A igualdade, o amor, o acolhimento e o não julgamento, pilares revolucionários que fizeram do Cristo um contestador pacífico, pouco se encontra nos segmentos religiosos.  

 

Jesus nos convida a construir um Natal todo dia, sem exclusão, com justiça social e sem violência. Onde todas as pessoas possam celebrar o bem comum.

 

Onde os sorrisos de festejo não estejam apenas dentro de espaços fechados, mas também nas ruas. Que estas ruas já não precisem abrigar irmãos excluídos e descartados pela sociedade.

 

Que todas as pessoas tenham moradia decente, comida, dignidade, paz e  liberdade para serem quem são.

 

Nos meus devaneios natalinos, peço ao papai noel, o mundo sonhado por Jesus de Nazaré, onde todos possam enfim viver  um Natal todo dia.

 

 


Publicado por Valnia Véras em 18/12/2025 às 12h14



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