Os “de Perto”
Interessante como os acontecimentos repaginam pensamentos.
Fatos ou comportamentos são grande impulsionadores de mudanças, seja de pontos de vista ou apenas de pertencimento.
O ilustre e talentosíssimo Caetano Veloso já dizia, de perto ninguém é normal.
As incógnitas e contradições humanas se evidenciam “tête-a-tête”.
Entretanto, algumas pessoas se encontram alheias a essa realidade e buscam a mesmice, numa tentativa tosca de padronizar o que naturalmente é diferente.
As habilidades e conhecimentos diversos se resumem às formalidades das academias, com cópias do passado embasadas por nomes distantes.
Outro fenômeno importante acerca do “perto” é o apagamento das potencialidades.
Observa-se que os pensadores são apequenados pelo convívio doméstico e o conhecimento levado consigo perde a propriedade no trato com o cotidiano corriqueiro dos relacionamentos.
Engraçado pensar nos colegas de escola ou trabalho de Galileu Galilei, Albert Einstein, Nise da Silveira ou de Cora Coralina. E quanto às relações familiares de Sigmund Freud, Frida Kahlo, Michel Foucault ou Van Gogh?
Quando o “de fora” ou “distante ” estampa as qualidades ou genialidades, os “de perto” descobrem o óbvio.
Os acontecimentos antes relativos, assumem novas engrenagens e contornos, mudando caminhos e direções.
A mesquinhez do comum, do raso, tenta ofuscar o brilho natural dos vagalumes enfeitando a noite escura.
Mas o tempo não para e quando “os de perto” menos esperam, as janelas do trem já se distanciaram…