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Uma gota de paciência
Um instante de cólera transborda
um copo de lágrimas. O pedido de socorro, silenciado pela utilidade das coisas, é gota d’água que desagua em desespero... No pingar insistente da torneira, a serenidade corre para longe, deixando um rastro de água escapulindo pelo esgoto. Diante do barulho discreto da gota invadindo o soro, pendurado no alto, as horas escutam as reclamações da filha, que insistentemente culpa a mãe pela vulnerabilidade do corpo cansado, castigado pelo tempo. Na sala cheia de pessoas, o filho corre para longe. A velha mãe num canto da cadeira, resta sentada, confusa, num mar de incertezas e solidão. Nesse hospital da vida, o descaso impera e o cansaço negligencia. Na soma dos gritos do pronto atendimento, sobra indiferença e grosseria. Nos leitos sem manivela, sem dignidade, a humanidade de quem viveu mais do que imaginava suplica por uma gota de paciência.
Valnia Véras
Enviado por Valnia Véras em 17/12/2025
Alterado em 17/12/2025 Comentários
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